setembro 11, 2013

Nikolaj Frobenius



Frobenius nasceu em Oslo em 29 de setembro 1965, mas cresceu em Rykkinn. Estudou a escrita cinematográfica e de investigação no LCP, em Londres. Sua descoberta internacional veio com o romance histórico "Latours katalog" - 1996, sucesso entre leitores e críticos, incluindo França e Itália. O romance é baseado na relação entre Markis de Sade e Lom osatour seu servo. O romance é um estudo psicológico e cultural do cuidado da dor, mas também um thriller de condução.
Frobenius tem uma obra literária onde mistura livremente diferentes estilos. Ele escreveu em muitos gêneros e formatos, e combinar a curiosidade intelectual, com grande forma literária de consciência. Seus romances foram traduzidos para 20 idiomas.. Seus romances têm recebido elogios da crítica, tanto na Noruega e internacionalmente. Ganhou vários prêmios literários.
 Tem escrito vários livros e roteiros, incluindo o roteiro do clássico filme de suspense Nordic Insomnia,  que  foi adaptado para uma grande produção de Hollywood em 2002, com atores como Robert De Niro e Robin Williams, foi dirigido por Christopher Nolan.Durante vários anos trabalhou como dramaturgo e desenvolve uma série de filme norueguês. Como roteirista, ele deixou sua marca como um dos principais escritores de cinema de sua geração. "Sons of Norway" ganhou vários prêmios internacionais.


Bibliografia

  • 1986 vórtices (prosa)   - Virvl 
  • 1989: O jovem Villiam Oxenstierna luminosa amor - 
 (Den unge Villiam Oxenstiernes lysende kjærlighet)
  • 1991: Hell Fabel -  (Helvetesfabel)
  • 1996: diretório Latour   - (Latours katalog)
  • 1997: Insônia (roteiro)  - (Insomnia)
  • 1999: O pornógrafo tímido  -  (Den sjenerte pornografen)
  • 2001: Dragonfly (roteiro)  (Filme:Øyenstikker) 
  • 2001: Em outro lugar (Andre steder)
  • 2003: O menor  (Det aller minste)
  • 2004: Teoria e Prática (Teori og praksis)
  • 2005: Um Inimigo do Povo , filmes baseados em drama de Ibsen
  • 2007: Defeat Glorioso: artigos e entrevistas sobre literatura e cinema -  (Herlige nederlag) 
  • 2008: Eu vou te mostrar medo ( Romance) -  (Jeg skal vise dere frykten)
  • 2011: Sons of Norway (roteiro) -   (Sønner av Norge)
  • 2011: Tão alto que você foi amado (Romance) -  (Så høyt var du elsket)


  • Prêmios


    setembro 01, 2013

    ENTREVISTA COM NIKOLAJ FROBENIUS SOBRE O LIVRO

      ENTREVISTA COM NIKOLAJ FROBENIUS SOBRE O LIVRO
     
    Como e quando teve início a sua fascinação por Edgar Allan Poe?
    A primeira vez que ouvi um conto de Edgar Allan Poe foi durante uma viagem que fiz com meu pai quando eu tinha 13 anos. Era outono e fomos para um chalé no bosque, na região leste da Noruega. Estávamos em meados de outubro e o clima encontrava-se úmido e sombrio. O chalé era isolado, não havia eletricidade e a atmosfera era soturna — perfeita para uma historinha horripilante. Não havia TV e nem rádio no chalé, nenhum acesso a entretenimentos modernos, mas ao anoitecer meu pai tirava um livrinho da estante e lia um conto para mim. A história era incrivelmente simples, sobre um homem que vagueia pelas ruas da velha Londres, observando as pessoas, entusiasmado com a atmosfera febril da metrópole. Ele se senta num café para descansar. Na multidão à sua frente, vislumbra um homem muito velho percorrendo a praça sem rumo. Por curiosidade começa a seguir o velho através de ruas e vielas estreitas, durante horas. O velho apenas anda e anda, sem direção, sem propósito, e no final o narrador desiste. Não há objetivo, não há motivo algum, apenas caminhar sem fim. Esse é o enredo do conto de Poe “O homem na multidão”É incrivelmente simples, quase absurdo. Mas o modo como foi escrito, o terror reprimido do narrador e as aldeias escuras da velha Londres, causaram uma tremenda impressão em mim quando eu era garoto. Continuei a ler os contos de Poe e, mais tarde, interessei-me também por seus ensaios e poemas. Seus contos são de suspense psicológico e acho que foi essa combinação que me fascinou: o horror da alma.
    O seu livro traz uma ligação bastante sutil entre Griswold, Poe e Samuel, o assassino. Griswold condena Poe por ser amoral como escritor e como poeta, ao passo que Samuel — o homem que comete assassinatos sangrentos inspirado pelos contos de Poe — é um personagem completamente amoral. Seria isso um modo sutil de sugerir que Griswold tinha razão em sua opinião de que a poesia deve sempre ter uma justificação moral?
    No que se refere a Samuel, acho que as ações dele dificilmente podem ser compreendidas como algo além de um terrível mal-entendido. Mas creio que também demonstra a vulnerabilidade da literatura. Não existem garantias, para o escritor, de que ele será entendido, e textos às vezes podem ser mal interpretados de formas muito destrutivas. Mas há outra camada no romance que se ocupa — como você mencionou —, do subtexto amoral dos escritos de Poe. Assim, embora Samuel Reynolds seja com certeza o tipo de fã obcecado que nenhum autor deseja ter, ele foi influenciado pelo elemento misantrópico do universo de Poe. A atmosfera de perigo nos contos de Poe também está associada aos elementos de violência e horror da sua ficção, ele tem um autêntico instinto para isso. O que talvez explique por que Poe continua sendo um escritor tão controverso.
    Quem são seus escritores favoritos e de que modo eles inspiram você?
    Li Edgar Allan Poe quando adolescente, juntamente com Dostoievski e William Faulkner. O material “dark”. Mais tarde, passei a ler de forma mais abrangente e tive uma forte queda por escritores sul-americanos, como Borges e Bolano. Sempre apreciei o gênero noir e recentemente li muita coisa do escritor norte-americano de literatura pulp David Goodis. Sujeito perturbado. Escreve formidavelmente.
    A sua ideia para o romance Vou lhe mostrar o medo é exatamente a mesma do filme O corvo, que estrelou John Cusack no papel de Poe, mas o seu nome não foi mencionado nos créditos. Foi plágio ou você fez algum tipo de acordo com os produtores do filme?
    Bom, às vezes acontece de você ter uma ideia realmente boa e então alguém a retalha toda e finge que é dele. Isso não contribui muito para a minha boa opinião sobre a humanidade, mas não há dúvida de que existem por aí abutres à procura de ideias para adotar, roubar e devorar. Na verdade, o filme foi bem decepcionante, a ideia acabou sendo melhor que o próprio filme, o que me parece justo: se você rouba as ideias dos outros, receberá algum tipo de castigo no final.
    Não são muitos os autores noruegueses conhecidos dos leitores brasileiros. Em sua opinião, quem são os melhores autores da Noruega e o que você tem a dizer sobre deles?
    A Noruega é um país pequeno, mas somos abençoados com uma literatura bastante rica, tanto tradicional quanto contemporânea. Knut Hamsun, o Dostoievski norueguês, Henrik Ibsen e Sigrid Undset são provavelmente os escritores noruegueses mais célebres. O bom a respeito da literatura norueguesa contemporânea é que existem realmente muitos estilos e perfis, há escritores jovens que mergulham na vida privada do aqui e agora, mas existem também alguns que procuram dar vida nova a gêneros antigos, como o noir, o romance político, etc.
    Você está com algum projeto novo no momento? Pode falar a respeito?
    Estou concluindo um novo romance, intitulado A maldição. É um romance sobre um romancista que escreve um romance autobiográfico a respeito da infância dele e de um incidente particular em que uma escola foi incendiada. O culpado é expulso da escola e, mais tarde, dado como morto. Porém, muitos anos depois, o piromaníaco volta para se vingar do modo como foi retratado no romance, e o romancista é lenta porém inevitavelmente envolvido numa teia sinistra. Esse é o enredo, e no momento o meu trabalho consiste em tornar cada frase tão boa quanto possível.

    agosto 20, 2013

    Nikolaj Frobenius - um dos grandes expoentes da moderna literatura norueguesa

    Edgar Allan Poe (1809-1849), o célebre poeta e autor de histórias de terror, bem como criador do gênero policial na literatura, é o protagonista deste romance de suspense psicológico, que discute os limites da criação literária e a responsabilidade moral da arte. Nele vemos o jovem escritor norte-americano afligido pela pobreza, angustiado com a enfermidade da sua frágil esposa e assombrado por um maníaco que comete assassinatos inspirados nos seus escritos, além de sabotado em sua carreira pelo crítico literário Griswold, que lhe dedica um misto de admiração e ódio. Publicado em toda a Europa, traduzido em dez idiomas e plagiado por Hollywood, este romance premiado marca a estreia, no Brasil, de Nikolaj Frobenius, um dos grandes expoentes da moderna literatura norueguesa.

    leiologoexisto Publicado em 20/07/2013
     

    julho 01, 2013

    O Amor e a Vida

    zanauniv
    Publicado em 01/07/2013

    março 08, 2013

    APRENDI

      APRENDI
     
    Aprendi com a vida
    Que DEUS é maior.
    Que tudo tem um motivo.
    Que a vida é única
    Uma benção...
    Que deve ser preservada,
    Defendida, 
    Respeitada.

    Aprendi  a ver
    O que se esconde
    Em cada ato, gesto, palavra.
    Que nem sempre o que é dito
    Reflete o que as pessoas trazem
    No coração,
    Na alma.

    Aprendi com a vida
    Que a melhor forma de resolver
    Um dilema,
    É enfrentando-o.
    Que perdas são necessárias
    E outras sempre podem ser evitadas.
    Que a morte é um casulo apenas
    Uma metamorfose.

    Aprendi
    A ouvir a alma.
    A sorrir
    Apesar das adversidades.
    A dizer “sim” ou “não”
    No momento oportuno.
    A respirar fundo
    E seguir em frente.

    Aprendi a me manter serena
    Como a natureza.
    A jamais perder a esperança
    Mesmo que não haja esperança
    Pois tudo muda num piscar de olhos.
    Aprendi
    Que a paciência é inescusável
    Ao ser humano.

    Aprendi com a vida
    Que nem tudo me convém
    Por mais que o mundo diga
    O contrário.
    Que momentos devem ser vividos
    Com responsabilidade
    Pois tudo tem consequências.

    Aprendi
    A ser forte
    A me fazer de forte
    A ter coragem
    A viver um dia de cada vez.
    A fazer escolhas
    Pois a vida é feita
    De escolhas.

    Aprendi
    Que conquistar um sonho
    Requer tempo
    Trabalho.
    Que amigo não se encontra
    Em qualquer esquina.
    Que palavras nem sempre
    São necessárias.

    Aprendi com a vida
    A me fazer pequenina
    A ser grande
    A aceitar-me como sou
    Mesmo que meu jeito
    Desagrade a outrem
    Pois não é preciso agradar a todos.

    Aprendi
    Que tudo o que posso ser
    É apenas eu.
    Pois só posso ser fiel a mim,
    Aos meus princípios,
    Aos meus sentimentos,
    Às minhas emoções.

    Aprendi   
    Que possibilidades
    São infinitas!
    Que cada experiência
    Cada sofrimento
    Cada dor
    Traz consigo uma dádiva.

    Aprendi com a vida
    Que nem tudo
    Merece minha atenção.
    Que por mais que se queira,
    Nem a todo se pode ou se deve ajudar.
    Que algumas mudanças são inevitáveis.
    E outras, necessárias.

    Aprendi
    Que cada pessoa
    É um universo.
    Que um único segundo
    Um pequeno gesto
    Pode mudar uma vida.
    Que o silêncio
    É inerente a alma.

    Aprendi
    Que o amor se renova
    A cada dia,
    A cada momento,
    A cada gesto.
    Que ninguém pode suprir
    Minhas carências
    E nem eu a de outrem.

    Aprendi
    A me fazer melhor.
    A contar sempre comigo
    A não me levar por ilusões.
    Que nunca se estar realmente sozinho
    Quando se tem a si.
    Que o preço da liberdade
    É a verdade.

    Aprendi
    Que a traição nada mais é
    Que um ato imaturo,
    Inconsequente. 
    Um sinal de covardia.
    Que caráter
    É uma virtude da alma.

    Aprendi
    Que a confiança
    Se perde
    Se ganha
    Por um simples ato.
    Que respeito
    Não é imposto.
    E sim, conquistado.

    A vida me ensinou
    A jamais desistir.
    A persistir
    A resistir
    A recomeçar
    A renascer
    Das cinzas.
    (Kris Rikardsen)

    março 02, 2013

    Uma breve história do cinema norueguês

     Uma breve história do cinema norueguês

     

    A história do cinema norueguês é o registo, através de uma sucessão de eras culturais distintas, de gerações de realizadores, actores e dos que trabalham nos bastidores a cultivar a sua arte. As condições de trabalho sofreram grandes modificações, como sugere uma longa lista de realizadores conhecidos por realizarem um único filme. O apoio financeiro tem sido imprevisível, contudo houve períodos de excelência artística e de forte liderança pessoal. A Noruega sente orgulho na sua herança cinematográfica, que de muitas formas reflecte o desenvolvimento da sociedade norueguesa.

     
    Em comparação com a Suécia e a Dinamarca, que tiveram êxitos anteriores na produção de filmes em grande escala para audiências internacionais, a Noruega chegou tarde ao mundo do cinema. Pouco se sabe sobre o primeiro filme produzido na Noruega. O filme propriamente dito perdeu-se e o material com ele relacionado que ainda resta é ambíguo. Produzido por Hugo Hermansen, em 1906 ou 1908, tinha o título Fiskerlivets farer (Os Perigos da Vida de um Pescador) ou Et drama paa havet (Um Drama no Mar). O esforço seguinte não surgiu antes de 1911, quando Halfdan Nobel Roede produziu Fattigdommens forbandelse (A Maldição da Pobreza), considerado por muitos especialistas como sendo o primeiro filme norueguês. As obras de Roede eram inspiradas pelos melodramas eróticos dinamarqueses da altura, não tendo qualquer relação com a sociedade norueguesa. Apenas em 1920 os noruegueses começam a desfrutar de uma produção contínua de filmes produzidos com carácter profissional. As características da filmografia norueguesa também se alteraram nesse ano, e Fante-Anne (A Cigana Anne), de Rasmus Breistein, deu início ao que é agora conhecido como inovação nacional. Enquanto que a maioria das obras anteriores tinha como cenário o anonimato da grande cidade, os realizadores começaram a concentrar-se na natureza norueguesa e nas alegrias da vida rústica ao ar livre. Os anos trinta podem ser adequadamente denominados a Idade de Ouro do cinema norueguês. O primeiro «sonoro» foi Den store barnedåpen (O Grande Baptismo, 1931), de Tancred Ibsen, neto dos gigantes literários noruegueses Henrik Ibsen e Bjørnstjerne Bjørnson. Os anos antes da guerra foram anos de crescimento e popularidade elevada para a indústria cinematográfica, à medida que os realizadores adaptavam obras literárias famosas ao ecrã e lhes davam vida através da utilização de actores de teatro profissionais.

     
    Durante a ocupação nazi da Noruega na II Guerra Mundial, a produção cinematográfica, bem como a programação de cinema, estiveram sujeitas à censura alemã. No entanto, os públicos acorriam aos cinemas para desfrutar de qualquer entretenimento nórdico que passasse a censura. Paradoxalmente, foi durante este período que foi criada uma direcção-geral do cinema nacional, dando à Noruega as suas primeiras políticas cinematográficas de âmbito nacional. O realizador veterano Leif Sinding foi o administrador da direcção-geral. No fim da guerra, a direcção-geral tinha acumulado um fundo de mais de 10 milhões de coroas norueguesas (cerca de 1,28 milhões de euros).

     
    O período do pós-guerra foi um momento decisivo natural para o cinema norueguês, tendo surgido uma nova geração de realizadores. Edith Carlmar, a primeira realizadora norueguesa, fez dez filmes entre 1949 e 1959. As suas obras aclamadas pela crítica conduziam frequentemente ao debate público e detinham um invulgar poder de atracção do público às bilheteiras. Hoje elas são consideradas clássicos. No último filme de Carlmar, Ung flukt (A Rapariga Caprichosa, 1959), ela lançou Liv Ullmann no que seria o seu primeiro papel de protagonista. Hoje em dia, Ullmann é a actriz e realizadora mais conhecida da Noruega. Troløs (Sem Fé), que Ullmann realizou em 2000, foi nomeado para a Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes nesse ano. Arne Skouen, que realizou o seu primeiro filme no mesmo ano que Carlmar, tem já 17 filmes no seu currículo. Alguns dos maiores triunfos do cinema norueguês são de sua autoria, como Ni liv (Nove Vidas), de 1957, que foi inclusivamente nomeado para um Óscar. Muitos críticos consideram-no a melhor produção norueguesa de todos os tempos. Os filmes de Skouen continuam a ser procurados em festivais de cinema e outros eventos cinematográficos em todo o mundo. Pelo menos dois outros nomes do período do pós-guerra se salientam. Em 1948, o fabricante de mobiliário Ivo Caprino começou a experimentar com filme e marionetas na sua sala-de-estar. Depressa se tornou o rei norueguês no campo do cinema de animação. O sistema sem igual de Caprino para produção de filmes, com a utilização de marionetas, trouxe-lhe aclamação internacional, não tendo o êxito de bilheteira do seu Flåklypa Grand Prix (Pinchcliffe Grand Prix, 1975) ainda sido ultrapassado. Representante de um género totalmente diferente é Thor Heyerdahl. Kon Tiki, que ele filmou durante a sua expedição de jangada, em 1947, pelo Pacífico, recebeu o Óscar para melhor documentário em 1952, e continua a ser o único filme norueguês a ter obtido um Óscar. Os documentários atraíam muito público nos anos que se seguiram ao final da guerra, particularmente se o assunto envolvesse material relacionado com a guerra ou expedições de exploração. Os anos cinquenta representaram o auge da produção e visionamento de documentários na Noruega. Nos anos sessenta, porém, a televisão começou a substituir o documentário, transformando-se no principal meio de comunicação dos acontecimentos da actualidade e de difusão de programas sobre a natureza. Mais recentemente, os documentários noruegueses regressaram em força. Heftig og begeistret (Fixe & Louco), de Knut Erik Jensen, datado de 2001, e Alt om min far (Tudo Sobre o Meu Pai), de Even Benestad, datado de 2002, receberam ambos vários prémios internacionais.

     
    Outra nova leva de jovens realizadores surgiu nos anos sessenta, influenciada por correntes modernistas na Europa continental. A versão norueguesa da Nouvelle Vague francesa incluiu Jakten (Os Caçadores, 1959), de Erik Løchen, e Liv (Vida, 1967) e Exit (Saída, 1970), ambos de Pål Løkkeberg. Contudo, os cinemas noruegueses estavam dependentes das comédias norueguesas e de grandes sucessos internacionais para conseguirem preencher os seus lugares. Em termos gerais, as famílias tendiam a preferir a televisão. Então veio a explosão jovem e activista dos anos setenta que fomentou o período realista e social mais rebelde do cinema norueguês. Pretendia-se que o cinema fosse político e não artístico, como comprovado por títulos como Streik! (Greve!, 1974), de Oddvar Bull Tuhus, e Det tause flertall (A Maioria Silenciosa, 1977), de Wam e Vennerød, bem como vários documentários progressistas. As mulheres realizadoras saltaram da cozinha para dramatizar temas feministas. Também produziram duros relatos da infância e da adolescência que atraíam públicos adultos (ver As crianças e o cinema). Uma realizadora inesquecível é Anja Breien. A sua trilogia Hustru III (Esposas III), de 1975, 1985 e 1996, constituiu um enorme sucesso, sendo uma crónica das vidas de três mulheres ao longo de três décadas.

     
    No início dos anos oitenta, o cinema norueguês entrou em declínio, e o público, cansado de realismo social cinzento, perguntou a si próprio de quem seria a culpa. Então, com algum êxito, os realizadores viraram-se para os Estados Unidos como fonte de inspiração para conseguirem contar histórias mais entusiasmantes. Orions Belte (O Cinto de Orion, 1985), de Ola Solum, e Veiviseren (O Pioneiro, 1987), de Nils Gaup, tiveram grande número de público e deixaram a sua marca a nível internacional. Em 1988, Veiviseren recebeu uma nomeação para os Óscares na categoria de melhor filme estrangeiro. O restante dos anos oitenta e o início da década de noventa representam um ponto alto para os frequentadores dos cinemas noruegueses com filmes como En håndfull tid (Uma Mão Cheia de Tempo, 1989), de Martin Asphaug, Landstrykere (Vagabundos, 1989), de Ola Solum, Høyere enn himmelen (Para Além do Céu, 1993), de Berit Nesheim, Stella Polaris (Estrela Polar, 1993), de Knut Erik Jensen, Telegrafisten (O Telegrafista, 1993), de Erik Gustavson, Drømspel (Jogo de Sonhos, 1994), de Unni Straume, Over stork og stein (Doido Varrido, 1994), de Eva Isaksen, Ti kniver i hjertet (Juro Pela Minha Vida, 1994), de Marius Holst, e Ovos (1995), de Bent Hamer. Uma nova mudança de gerações estava a caminho.

     
    O realizador Hans Petter Moland escreveu um novo capítulo na história do cinema norueguês com o lançamento, em 1996, do seu Kjærlighetens kjøtere (Zero Kelvin) em Nova Iorque. Em Fevereiro de 1997, Søndagsengler (O Outro Lado do Domingo, 1996), de Berit Nesheim, foi nomeado para o Óscar de melhor filme estrangeiro. Budbringeren (Correio Desinteressante, 1997), realizado por Pål Sletaune, teve a sua estreia durante a Semana da Crítica no Festival de Cinema de Cannes, acabando por obter o prémio principal naquela secção. O filme foi exibido em todo o mundo e ganhou vários outros prémios. Insomnia (Insónia), de Erik Skjoldbjærg, participou na mesma secção no Festival de e chamou a atenção internacional nesse mesmo ano. Em 2001, Elling, de Peter Næss, foi nomeado para o Óscar na conhecida categoria de melhor filme estrangeiro. E Harald Zwart (Uma Noite com McCool, 2001; O Agente Cody Banks, 2003) provou que ser norueguês não constitui nenhuma barreira para ser bem sucedido em Hollywood. Mais recentemente, Skjoldbjærg, Moland, Næss e Hamer fizeram filmes nos E.U.A., conferindo uma posição firme à Noruega no mapa internacional de cinema com filmes como Prozac Nation (2001), Beautiful Country (2004), Mozart and the Whale (2004) e Factotum (2005).
    As curtas-metragens norueguesas competem com êxito em festivais por todo o mundo. Durante a Semana da Crítica em Cannes, em 2003, a curta-metragem que ganhou foi O Amor é a Lei de Eivind Tolås. No mesmo festival, na secção da Quinzena dos Realizadores, Bent Hamer apresentou o filme Salmer fra kjøkkenet (Histórias da Cozinha, 2003), que lhe proporcionou vasta aclamação, ganhando o prémio para a distribuição europeia e dando início a um interesse de vendas global.

     
    Foi lançada nos últimos anos uma grande quantidade de impressionantes documentários noruegueses, incluindo os bem-sucedidos Heftig og begeistret (Fixe& Louco) em 2001, Alt om min far (Tudo Sobre o Meu Pai) em 2002, Ungdommens råskap (Quebra de Concentração em Alunos do Liceu na Noruega) em 2004 e Alt for Norge (Um Guia Através de 100 Anos de História da Noruega) em 2005.

     
    O ano de 2003 assistiu ao lançamento de uma grande quantidade de filmes noruegueses, mais que no ano anterior, e essa tendência de sucesso continua. Os números relativos ao público dos filmes nacionais são elevados e o cinema norueguês tem sido aclamado a nível internacional. Estes factos devem-se em muito à reestruturação dos esquemas de incentive e à criação do Fundo Norueguês do Cinema em 2001. Também 2006 parece estar a ser um ano promissor para a indústria cinematográfica norueguesa. Uma onda nova de realizadores e de actores de talento está já a caminho de causar impacto.

    http://www.noruega.org.br/About_Norway/culture/film/A_Brief_History_of_Norwegian_Film/

    fevereiro 25, 2013

    Kon-Tiki, o filme norueguês indicado ao Oscar e Globo de Ouro

      Ainda me lembro quando era estudante do ginásio Santista e um colega , Pedro Paulo, me falou de um livro chamado Kon-Tiki, que era um sucesso absoluto da não-ficção, termo que não existia ainda na época.
    A história real de um norueguês chamado Thor Heyerdahl, em 1947, um etnógrafo fez uma perigosa e inédita travessia numa balsa rudimentar, na tentativa de provar sua tese, que havia sido ridicularizada, de que os indonésios haviam feito a travessia do mar ate a região do Peru, na América do Sul, ou seja, muito antes dos espanhóis.
    Ou seja, eles percorreram 5 mil milhas marítimas em condições precárias, revivendo o feito de 1.500 anos antes. Essa viagem foi filmada pelos aventureiros rendeu um filme documentário de 1950, assinado pelo próprio Thor, e Olle Nordemar e ganhou um Oscar de melhor documentário naquele ano, fato praticamente desconhecido.

    Agora está concorrendo ao globo de Ouro (que será no próximo dia 13) e foi indicado oficialmente pela Noruega como seu representante de filme estrangeiro, a versão romanceada da saga de Kon-Tiki que foi a produção mais cara da Noruega, rodada em imagens de cartão postal, nas Maldivas, Bulgária, Malta, Nova York, Oslo, Suécia e Tailândia.
    Thor começa visitando os Mares do Sul e ficando fascinado com a natureza tropical. Na verdade, antes disso, tem um prólogo dele menino sendo corajoso e caindo na água de um lado congelado. Depois leva dez anos escrevendo uma tese que é rechaçada por todos acadêmicos. Só resta a ele, junto com mais seis companheiros, todos branquíssimos e loiros ou ruivos, embarcarem nessa história jornada. Feito parte em locação, parte em estúdio com efeitos especiais convincentes, não foge das armadilhas da biografia convencional.


    O nome da balsa Kon-Tiki, inspirado em um nome alternativo da deusa inca Viracocha e o filme reproduz em preto e branco cenas recriando as imagens originais do documentário e, ao final, dando informações e cenas autênticas dos envueltos. Foi dirigido por uma dupla Joachim Ronning e Espen Sandberg que fez antes Max Manus, Bandidas, que não conheço.
    O papel central de Thor é de Pal Sverre Hagen, que se parece muito com o verdadeiro. Ou seja, é uma raridade, uma aventura real, que tem emoção e surpresas, não sei se digna de prêmios. A parte dramática não é muito desenvolvida, embora tenha uma esposa a espera, mas é uma boa e até educativa diversão.

    http://noticias.r7.com/blogs/rubens-ewald-filho/2012/12/26/kon-tiki-o-filme-noruegues-indicado-ao-oscar-e-globo-de-ouro/