junho 11, 2012

EN DEL AV MED / PARTE DE MIM

EN DEL AV MED


En del av meg
Er gikt.
Del
Ocean.

Del
Eksistere.
Prisoner
Captive ...
Revolusjonerende.

Del
Transmutes.
Frigjort
Motstår
Mediter.

Den andre
Vedvarer
Slåss
Drukner.

En del av meg
Det er ustadig.
Raves
Surfing.

Den andre
Pacific.
Walk
Venter
Hvis dekkene.

En del
Å være.
Den andre
Party.

Del
Det er North.
Den andre
Sør.

En del av meg
Det er smil.
Den andre
Bare savnet!

En del av meg
Det er holdning.
Shout
Tvister
Stillhet
Er taus.

Den andre
Er overrasket
Fortryller
Forføre.

En del av meg
Uforståelig
Uforståelige
Raging.

Del
Det er farge.
Leads
Glitters.

Den andre
Bevegelse
Enkelhet.
Del
Avslører.
Den andre
Skjuler.
En del av meg
Det er håp.
Konstant Storm
Søt
Dread.
Del
Det er livet.
Den andre
Døden.
Sky
Hell.
En del av meg
Halvparten.
Del
Reason.
Del
Memories
Tanker.
Den andre
Selvmotsigelse.

En del av meg
Det er aroma.
Den andre ...
Poesi.

En del av meg
Det er en jente.
Den andre
Kvinner.

Del
Valkyrie
Del
Iracema.

Gåtefull
Uærbødig
Søt melankoli.

En del av meg
Mystery
Courage
Solitude.

Del
frukt,
Del
Timber.
Jeg er del
Deler
Av den samme Kvinnen.

Jeg forventer
Ingenting
Verden.
Jeg ønsker er
være meg.
Med alle deler
Utenkelige
Urørt
Eksisterende.
Alle kronbladene
Finnes i meg.


 

PARTE DE MIM
 
Parte de mim 
É gota. 
Parte, 
Oceano. 

Uma parte 
Coexiste. 
Prisioneira 
Cativa... 
Revolucionária. 

Uma parte 
Transmuta. 
Liberta 
Resiste 
Medita. 

A outra 
Persiste 
Luta 
Se afoga. 

Parte de mim 
É inconstante. 
Delira 
Navega. 

A outra, 
Pacífica. 
Caminha 
Espera 
Se cansa. 

Uma parte 
Estar. 
A outra, 
Parte. 

Uma parte 
É Norte. 
A outra, 
Sul. 

Parte de mim 
É sorriso. 
A outra, 
Só saudade! 

Uma parte de mim 
É atitude. 
Grita 
Contesta 
Silencia 
Se cala. 

A outra 
Se espanta 
Encanta 
Seduzi. 

Uma parte de mim, 
Incompreensível 
Indecifrável 
Indomável. 

Uma parte 
É cor. 
Conduz 
Reluz. 

A outra 
Movimento 
Simplicidade. 

Uma parte 
Se revela. 
A outra 
Se esconde. 

Uma parte de mim, 
É esperança. 
Constante tempestade 
Doce 
Atroz. 

Uma parte 
É vida. 
A outra, 
Morte. 
Céu 
Inferno. 

Parte de mim 
Metade. 
Parte, 
Razão. 

Uma parte
 Lembranças 
Pensamentos.
 A outra, 
Contradição. 

Uma parte de mim 
É aroma. 
A outra... 
Poesia. 

Parte de mim 
É menina.
 A outra,
 Mulher. 

Parte 
Valquíria 
Parte
Iracema. 

Enigmática
Irreverente
Doce melancolia. 

 Uma parte de mim
 Mistério 
Coragem 
Solidão. 

Parte 
Fruto, 
Parte 
Madeira. 

Sou parte
 De partes 
De uma mesma mulher. 
Não espero nada 
Do mundo. 
O que quero
 É ser EU. 
Com todas as partes 
Inimagináveis 
Intocadas 
Existentes. 
Todas as pétalas 
Contida em mim.
 (Kris Rikardsen.)

junho 01, 2012

INGEMAR LECKIUS

  INGEMAR LECKIUS

Nasceu em Kristianstad (como Ingemar Gustafson). Foi poeta, ficcionista e tradutor.


VIDA DE FAMÍLIA

Durante as longas e chuvosas noites de inverno quando o vento uiva lá fora, minha mulher e eu jogamos às cartas. Jogamos em completo silêncio com os nossos corpos por aposta.
Mais ou menos meia hora depois, considero que já perdi o suficiente e levanto-me dizendo calmamente: «Não joguemos mais. Já não tenho mais nada a apostar. Já perdi todo o exterior do meu corpo». O interior quero guardá-lo.
Mas a minha mulher nunca consente isso. Ameaçadoramente obriga-me a continuar o jogo. E só paramos de jogar quando eu perco o meu corpo todo. Só as minhas doenças – dores de cabeça, constipações e todas as minhas febres – ficam do meu lado da mesa. Essas noites são de fato bastante tristes.


(Tradução de Ana Hatherly)

BARBRO DAHLIN

 BARBRO DAHLIN

Viveu em Estocolmo e em Öland, uma ilha do Mar Báltico. Além de poeta e novelista, exercia psiquiatria. A sua poesia, à semelhança de muita da poesia sueca, é caracterizada por um recurso a símbolos da natureza, em concreto, imagens de sensualidade e esperança. DIA CLARO Em Junho existem dias em que o vento vem de norte e o ar é gelado e limpo o céu nu e apagado Ao longe no horizonte um pássaro gela parado Tirando isso não há sinais e nenhum rastro marcado Quem olhar para cima cai como se a gravidade não mais segurasse as suas maçãs Esse é o dia que a terra pára para recuperar o fôlego.

maio 26, 2012

LASSE SÖDERBERG

LASSE SÖDERBERG
 
Nasceu em 1931 em Estocolmo, na Suécia. Vive atualmente em Malmö. Uma seleção da sua poesia, “Coração de Papel”, revista por Ana Luísa Amaral e Gonçalo Vilas-Boas, de forte inspiração surrealista, foi editada em 2001 pela Quetzal.

OUVIDOS CHEIOS DE ALGODÃO

Primeiro tapo os ouvidos
com ambas as mãos
para não mais ouvir
o eterno sussurro.

Depois começo a encher
os ouvidos de algodão,
grandes pedaços de esquecimento.
Poderei assim escapar?

Para ficar convencido
de ter achado a solução
corto as orelhas
segundo um método experimentado.

Ei-las diante de mim
como duas conchas do mar,
cheias de eterno sussurro
e de anestesiante algodão.

§


GUERRILHA URBANA

(Berlim Leste, 1975)
A altas horas da noite está o centro da cidade
fortemente iluminado como uma sala de interrogatório.
Venho de Greifswalderstrasse.
Nem vivalma. Então algo se ouve subitamente
como se umas botas vazias de borracha
corressem sobre a relva.
Do canteiro erguem-se longas orelhas.
Um coelho salta-nos à frente! Mais um!
E mais um! Um bando de agitadores!
Tropel atrevido, tarados sexuais de olhos congestionados
saltitando como num passe de mágica
tirados das almas adormecidas dos funcionários.
Todas as noites aparecem à luz
sorrindo com desdém de tudo o que lhes mete medo.

maio 11, 2012

WERNER ASPENSTRÖM

 WERNER ASPENSTRÖM

Nasceu em Norrbärke e foi membro da Academia Sueca, ocupando a cadeira n.º 12, de 1981 a 1997. Aspenström dizia frequentemente que a sua motivação para escrever era fazê-lo para o seu gato.



TU E EU E O MUNDO

Não perguntes quem tu és e quem eu sou
e porque tudo é.
Deixa os professores tratarem disso,
pois são pagos.
Põe a balança da casa sobre a mesa
e deixa a realidade pesar-se.
Põe o casaco.
Apaga a luz da entrada.
Fecha a porta.
Que os mortos embalsamem os mortos.

Estamos a andar aqui, agora.
O que usa botas de borracha brancas
és tu.
O que usa botas de borracha pretas
sou eu.
E a chuva que cai sobre nós ambos
é a chuva.

(Tradução de Vasco Graça Moura)

maio 10, 2012

SONIA ÅKESSON

 SONIA ÅKESSON

 Nasceu em 1926 na ilha báltica de Gotland, tendo falecido aos 51 anos. Poeta de referência para gerações ulteriores, escreveu poemas socialmente comprometidos com o estado social – uma sociedade consciente, com segurança económica para todos - e do papel da mulher na nova sociedade sueca, num estilo simples e confessional conhecido por “Nova Simplicidade”, caracterizado entre outros aspectos pelo ritmo e pela repetição.



SIM, POR FAVOR

Uma mão quente.
Uma casa quente.
Um pullover quente
para cobrir meus pensamentos gelados.
Um corpo quente
para cobrir o meu corpo.
Uma alma quente
para cobrir a minha alma.
Uma vida quente
para cobrir a minha vida gelada.

maio 01, 2012

LARS FORSSELL

  LARS FORSSELL

 

Foi membro da Academia Sueca. Poeta e dramaturgo muito premiado, nasceu e morreu em Estocolmo. Foi jornalista cultural em diversos orgãos de comunicação suecos, sendo muito popular no seu país devido a uma outra vertente artística que cultivava: a de escritor de canções.




Eu queria escrever mas
porque é que se tem de organizar tudo

tão exatamente

As coisas não são tão rigorosas

A estrada do tinteiro à página
é comprida demais e além disso
é preciso segurar a pena de uma
maneira especial como eu fazia quando tinha seis anos e
a língua pousava no – era o canto esquerdo
da boca ? e eu aprendi tudo o que
quer que foi
que eu aprendi

Agora aprendi algo diferente

Despejo o tinteiro no papel
Dá uma imagem do que eu quero dizer
Dá uma imagem perfeitamente clara
de tudo o que aprendi

(Tradução de Vasco Graça Moura)