agosto 23, 2012

Escritoras nórdicas Vencedoras do Prêmios Nobel

  • Selma Lagerlöf 
1858-1940        Suécia  
Prêmio Nobel de 1909

 Selma Ottiliana Lovisa Lagerlöf foi a primeira mulher a receber oPrêmio Nobel da Literatura. Foi professora e distinguiu-se na escrita para crianças e jovens, em textos que retratam o seu país.O primeiro romance foi Lenda de Gösta Berling (1891), mais tarde transposto para o cinema, embora o seu texto mais conhecido seja A Viagem Maravilhosa de Nils Holgerssn pela Suécia (1906),traduzido em quase todas as línguas. 


  • Sigrid Undset 
 1882-1949      Noruega 
Prêmio Nobel de 1928 

Nasceu na Dinamarca e foi para a Noruega com dois anos. Órfã desde os 11 anos, trabalhou como secretária. Após um primeiro romance que não conseguiu publicar, deixa uma vasta obra, de que se destacam: Fru Marta Aulie (1924), a trilogia KristinLavransdatter (1920-1922), Tilbake til fremtiden (1945) e Lykkelige dager (1947).  
Os seus textos abordam os mistérios 
das antigas sagas nórdicas.
Distinguiu-se pela sua convicta luta anti-nazi. 

agosto 14, 2012

SENTIDOS

SENTIDOS






Adoro o silêncio
O cheiro da chuva
O acariciar da brisa
A força do vento
Da tempestade.

Adoro
Ouvir o canto dos pássaros
O som da relva.
Contemplar a beleza
Das flores.
Sentir seu aroma
Suas cores
Suas formas.

Adoro a simplicidade
A poesia
A arte
Expressão da minha alma.

Adoro caminhar pela areia
Sentir o aroma do mar
Mergulhar no infinito azul
Me deixar levar pelo vento
Cruzar barreiras
Desafiar fronteiras
Ter a liberdade dos pássaros.


Adoro
A sensação do sol
Aquecendo meu ser.
O sabor da chuva
Me embriagar
Em suas gotas
Senti-las percorrer
Meu corpo
Lavar minh’alma.

Adoro o inverno
O despertar da primavera
O sabor outonal
Das quatro estações.

Adoro ser parte de mim
Da mulher que sou.
Sentir-me
Parte do universo.
E ter certeza
Que faço parte dele
Do constante espetáculo
Da vida.
(Kris Rikardsen)

agosto 03, 2012

 Chega pela mão do poeta Jorge Sousa Braga, que  traduziu  o livro "O GRANDE ENIGMA" (2004), de Tomas Tranströmer.


O ROCHEDO DAS ÁGUIAS
Por detrás do vidro do terrário
estranhamente imóveis
os répteis.

Uma mulher estende a roupa
em silêncio.
A morte está ao abrigo do vento.

Nas entranhas da terra
a minha alma desliza
silenciosa como um cometa.


§

FACHADAS

1.

No fim da estrada vejo o poder
e é como uma cebola
com rostos sobrepostos
que caem um a um…

2.

Esvaziam-se os teatros. É meia-noite.
Palavras ardem nas fachadas.
O enigma das cartas sem resposta
afunda-se na fria cintilação.


§

NOVEMBRO

Quando se aborrece, o verdugo torna-se perigoso.
Enrola-se o céu ardente.

Gotas de água a cair da torneira ouvem-se de cela em cela
E o espaço transborda da terra gelada

Algumas pedras brilham como luas cheias


§

A NEVE CAI

São cada vez mais
numerosos os funerais
como os painéis na autoestrada
ao aproximar-se uma cidade.

Milhares de pessoas
na terra das grandes sombras.
Uma ponte constrói-se
lentamente
direito ao espaço.

§

ASSINATURAS

Devo passar
pelo umbral escuro.
Uma sala.
O documento em branco resplandece.
Como as muitas sombras que se movem
todos querem assiná-lo.

Até que a luz me trespasse
e dobre o tempo.

§

HAIKUS
1.


Jardins suspensos
num mosteiro lama.
Pinturas de batalhas.

*
Muro do desespero…
Não têm rosto
as pombas que vão e vêm.

*

Pensamentos parados,
os mosaicos coloridos
no pátio do palácio.

*

Jaula de sol.
De pé na varanda
como um arco-íris.

*

Murmúrio na névoa.
Longe um barco de pesca
…um troféu nas ondas.

*

Cidades cintilantes:
Tons, lendas, cifras—
Também…

2.

Veado ao sol:
as moscas cozem
a sombra ao chão


3.

Um vento gelado
trespassa a casa esta noite—
o nome dos demónios

*

Pinheiros descarnados
no mesmo pântano —
sempre e sempre.

*

Perdido na escuridão
encontrei um enorme sombra
num par de olhos.

*

Sol de Novembro.
A minha sombra nada:
Espelho.

*

Aqueles marcos de pedra
algures no caminho. Escuta
o arrulhar duma pomba

*

A morte dobra-se sobre mim.
Problema de xadrez.
Ela tem a solução.


4.

Com a sua cara de bulldog
o rebocador contempla
o pôr do sol.

*

Numa saliência da rocha
o estalido na escarpa mostra
o sonho, um iceberg

*

Subindo a encosta
debaixo do sol as cabras
ruminavam fogo


5.

As víboras
erguem-se no asfalto
como mendigos

*

Folhas ocre no outono—
tão valiosas como
os manuscritos do Mar Morto

6.

Na estante da biblioteca
do manicómio,
intacto o livro dos sermões

*

Sai do pântano!
O siluro contorce-se de riso
quando o pinheiro bate as doze.

*

Inchado de felicidade
naqueles pântanos-
mas quem canta são as rãs.

*

Ele escreve e escreve…
Grude flutua nos canais.
No Estige, aquela barcaça.

*

Silencioso como a chuva
ao encontro do murmúrio das folhas—
Escuta o sino do Kremlin

7.

Estranho bosque
Onde Deus vive sem dinheiro—
claras muralhas

*

Sombras rastejantes…
Perdida no bosque
a tribo de cogumelos.

*

Pega negra e branca:
teimosa corre em ziguezague
a direito através dos campos

*

Olha como me sento
uma barca em terra.
Aqui sou feliz

*

Trotam as alamedas
com armadura de raios solares.
Alguém chamou?


8.

Cresce a erva –
o seu rosto é uma runa
em memória

*

Uma imagem obscura.
Pobreza dissimulada,
flores num uniforme de presidiário


9.

Chegada a hora
repousa o vento cego
contra as casas

*

Eu estive ali –
sobre a parede caiada
amontoam-se as moscas.

*

O sol queima…
Um mastro com uma vela negra
de um tempo longínquo


*

Aguenta, rouxinol!
Do abismo cresce:
estamos disfarçados.

10.

A morte escreve
sobre o mar, enquanto
a igreja respira ouro.

*

Algo aconteceu.
O luar enche o quarto.
Deus sabia-o.

*

Caiu o tecto
e a morte pode ver-me:
aquele rosto.

*

Escuta o zumbido da chuva.
Para lá entrar
sussurro um segredo.

*

Cais da estação.
Que estranha esta quietude –
é a voz de dentro


11.

Milagre –
uma velha macieira
perto do mar

*

O mar é um muro.
Oiço grasnar as gaivotas:
elas saúdam-nos.

*

Por trás vento de Deus.
O tiro chega surdo—
sonho demasiado longo

*


Silêncio cor de cinza.
Passa o gigante azul.
A brisa do mar.

*

Um vento forte e pacífico
da biblioteca do mar.
Aqui posso repousar.

*

Aves com forma humana.
Macieiras em flor.
O grande enigma.



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julho 30, 2012

TOMAS TRANSTRÖMER nasceu em Estocolmo, em 1931. É o poeta sueco mais traduzido em todo o mundo. «O meu pão diário é Quatro Quartetos de T. S. Eliot, que mastigo deliciosamente entre os dentes», afirmou um dia. 

Na sua poesia, plena de imagens que aludem ao mar e ao longínquo norte - imagens por vezes fantásticas, de inspiração post-surrealista - é perceptível o forte apelo que a natureza tradicionalmente exerce sobre a escrita dos poetas escandinavos.

 Tranströmer vive presentemente numa ilha, longe dos olhares do mundo e dos meios de comunicação social; anteriormente havia sido psicólogo, particularmente dedicado à readaptação de delinquentes juvenis. Em 1990 sofreu um acidente vascular cerebral que o deixou em parte afásico e hemiplégico. Continuou, porém, a escrever tendo publicado mais três obras. Os poemas que se seguem são versões do castelhano, seleccionadas do livro “Para vivos y muertos” (tradução do sueco de Roberto Mascaro e Francisco Uriz), editado pela colecção de poesia Hiperión (Madrid, 1992). Segundo Louise Von Bergen que assina o prefácio desta obra, na «escrita de Tranströmer há um equilíbrio controlado entre o fantástico e o exacto, entre a liberdade e a consequência lógica». Eis quatro poemas, com a devida vénia.



HISTÓRIAS DE MARINHEIROS

Há dias de inverno sem neve em que o mar é parente
de zonas montanhosas, encolhido sob plumagem cinza,
azul só por um minuto, longas horas com ondas quais pálidos
linces, buscando em vão sustento nas pedras de à beira-mar.

Em dias como estes saem do mar restos de naufrágios em busca
de seus proprietários, sentados no bulício da cidade, e afogadas
tripulações vêm a terra, más ténues que fumo de cachimbo.

(No Norte andam os verdadeiros linces, com garras afiadas
e olhos sonhadores. No Norte, onde o dia
vive numa mina, de dia e de noite.

Ali, onde o único sobrevivente pode estar
junto ao forno da Aurora Boreal escutando
a música dos mortos de frio).

(1954)


§


A ÁRVORE E A NUVEM


Uma árvore anda de aqui para ali sob a chuva,
com pressa, ante nós, derramando-se na cinza.
Leva um recado. Da chuva arranca vida
como um melro ante um jardim de fruta.

Quando a chuva cessa, detém-se a árvore.
Vislumbramo-la direita, quieta em noites claras,
à espera, como nós, do instante
em que flocos de neve floresçam no espaço.

(1962)


§


DESDE A MONTANHA



Estou na montanha e vejo a enseada.
Os barcos descansam sobre a superfície do verão.
«Somos sonâmbulos. Luas vagabundas.»
Isso dizem as velas brancas.

«Deslizamos por uma casa adormecida.
Abrimos as portas lentamente.
Assomamo-nos à liberdade.»
Isso dizem as velas brancas.

Um dia vi navegar os desejos do mundo.
Todos, no mesmo rumo – uma só frota.
«Agora estamos dispersos. Séquito de ninguém.»
Isso dizem as velas brancas.

(1962)


§


PÁSSAROS MATINAIS


Desperto o automóvel
que tem o pára-brisas coberto de pólen.
Coloco os óculos de sol.
O canto dos pássaros escurece.

Enquanto isso outro homem compra um diário
na estação de comboio
junto a um grande vagão de carga
completamente vermelho de ferrugem
que cintila ao sol.

Não há vazios por aqui.

Cruza o calor da primavera um corredor frio
por onde alguém entra depressa
e conta que como foi caluniado
até na Direcção.

Por uma parte de trás da paisagem
chega a gralha
negra e branca. Pássaro agoirento.
E o melro que se move em todas as direcções
até que tudo seja um desenho a carvão,
salvo a roupa branca na corda de estender:
um coro da Palestina:

Não há vazios por aqui.

É fantástico sentir como cresce o meu poema
enquanto me vou encolhendo
Cresce, ocupa o meu lugar.

Desloca-me.
Expulsa-me do ninho.
O poema está pronto.

(1966)

julho 14, 2012

SER

13/06/2012 por

julho 04, 2012

KRISTINA LUGN

KRISTINA LUGN

 

Poeta e dramaturga sueca, nasceu em 1948. A sua é igualmente uma poesia que reflete as aspirações e os sentimentos, a fragilidade e a solidão das mulheres subjugadas, em poemas negros e dramáticos, onde a morte é um elemento presente de uma forma quase inocente. Diversas vezes premiada, foi diretora artística e diretora do Dramaten Theather de Estocolmo.


TENHO DE TRATAR DAS COISAS

Tenho de tratar das coisas antes de partir.
Preciso de sapatos.
Preciso de uns bons sapatos.
Com solas de borracha.
Acho que isto vai ser duro.

Olhem para mim agora.

Vejo que me estou a aproximar com uma faca.
Vejo que me estou a aproximar com uma corda.
Alguma vez o tiro terá de ser disparado.
Importunei as pessoas com isto durante cinquenta anos.
Demorará meio segundo.

Porque é que me estão a olhar agora?

O amor não é para sempre.
Mas a morte é.
A morte é para sempre.

Adeus, vemo-nos mais tarde!

junho 23, 2012

HANS BØRLI (1918-1989) nasceu em Eidskog, próximo da cidade de Kongsvinger, no condado de Hedmark, sudeste da Noruega. Faleceu com 71 anos. De dia exerceu a profissão de lenhador; à noite, enquanto os outros madeireiros descansavam, escreveu poesia. Os seus poemas mais conhecidos (“We Own the Forests” ou “Have You Listened to the Rivers in the Night”, por exemplo), refletem numa linguagem clara e escassamente metafórica, a estreita ligação que manteve com a natureza (aliás, uma das caracteristicas transversais à poesia escandinava), bem como certas particulariedades geográficas e climatéricas do longínquo Norte. A experiência da pobreza e do trabalho árduo, bem como a vivência das florestas e a solidariedade entre trabalhadores tiveram forte reflexo na sua poesia. Leitor compulsivo, foi-lhe mais tarde oferecido um lugar como estudante na academia militar de Oslo, cujos estudos teve que interromper com o irromper da Segunda Guerra Mundial, onde combateu os alemães, tendo sido capturado em Verdal. No final da guerra, regressou a Eidskog, tendo então trabalhado como professor e guarda-florestal. A estreia de Hans Børli na poesia ocorreu em 1945, e durante a vida terá escrito mais de onze mil poemas, dos quais traduzi oito, retirados da antologia “We Own the Forests and other Poems” (tradução do norueguês para inglês por Louis Muinzer), editado pela Norvik Press, em 2004 (2ª edição, 2007), editora fundada em 1984 em Norwich, com o apoio financeiro da Universidade de East Anglia, do Ministério da Cultura da Dinamarca, do Departamento Cultural Noroeguês e do Instituto Sueco.



GOSTO DO MAU TEMPO


Gosto do mau tempo.
Chuva dura no outono.
Neve pesada pelo Natal.
Liberta e alivia
algo congelado e varrido pelo vento dentro de mim.

- deitado num celeiro de feno
quando a chuva bate no telhado de lata,
e a floresta vagueia na névoa cinzenta!
É como finalmente chorar
completa e livremente
depois de uma longa hibernação na terra nua da mente.

Ou deslizando de esquis sobre o paul
num dia de Janeiro,
quando os flocos de neve jorram
pelo espaço como faúlhas brancas.

E o mundo pia,
pia com brancos sussurros
no céu –

Então estás só pela primeira vez,
completa e gloriosamente só.
Sabes que até os teus rastos de esqui
são apagados
assim que vais.

Sim, eu gosto de mau tempo.
Mas a visão do vôo dos pássaros pelo outono
pesa-me na mente.

Estive frequentemente em solo elevado
quando os guindastes guinavam para sul
com o sol por baixo de suas asas cinzentas.
Então soube tristemente
que amo o mau tempo
porque é cinzento

como o esquecimento.

(1949)

§


AS PALAVRAS


Temor das palavras –
eis algo que aprendi.
Versos que escrevi
versos que queimei.

Da dúvida no meu coração
sussurros crueis começam:
"Fraco, escreves
com uma arte emprestada.

A folha é adorável
quando é branca.
Poupa o espaço para a palavra
que não podes escrever".

(1949)

§


NÓS TEMOS AS FLORESTAS

Nunca fui dono de uma árvore.
Nenhum dos meus
alguma vez teve uma árvore –
embora o percurso da minha familia sopre
desde há séculos sob o cume
da floresta.

Floresta na tempestade,
floresta na acalmia –
floresta, floresta, floresta,
através dos anos.

Os meus
foram sempre uma gente pobre.
Sempre.
Filhos de vidas
e noites duras e geladas.

Os estranhos possuem as árvores,
e a terra,
a terra de pedras amontoadas
que meus pais removeram
à luz do luar.

Estranhos
com faces lisas
e mãos bonitas
e carro sempre aguardando
ao portão.

Nenhum dos meus
alguma vez teve uma árvore.
E ainda assim possuímos as florestas
pelo direito hereditário do nosso sangue.

Homem rico,
com teu carro e livro de cheques
e acções na companhia de madeiras de Borregaard:
podes comprar mil acres de floresta,
e mil acres mais,
mas não podes comprar o pôr-do-sol
ou o sussurro do vento
ou a alegria de regressar a casa
quando a urze floresce ao longo do caminho –

Não, nós temos as florestas,
do modo que uma criança tem sua mãe.

(1952)


§


DISTÂNCIA

Levanto-me e olho o céu
numa tarde de primavera sob o vôo das galinholas.
Estranho! A estrela maior
é uma coisa minúscula, pequenina
que a folha do vidoeiro pode cobrir.
– – –
Distância, é a distância
que torna o que é eterno suportável
Ainda bem que lança tão grande sombra,
a pequena coisa que está próxima…

(1958)


§


DEPOIS DE AUSCHWITZ

É difícil
olhar os próprios olhos
depois do que aconteceu
em Auschwitz.
Em Hiroshima.
Em Song My –

MAS NÃO VOLTES O ESPELHO.

Não penses
que aquele inferno teria sido possível
sem tu e eu.

(1972)


§


UMA COISA É NECESSÁRIA

Uma coisa é necessária – aqui
neste nosso mundo díficil
de sem-abrigos e desterrados:

Fixares residência em ti.

Entra pela escuridão
e limpa a fuligem da lâmpada.

Para que as pessoas na estrada
possam entrever uma luz
em teus olhos habitados.

(1974)

§


ENVELHECER


Envelhecer é um comércio triste,
incurável e solitário
como a alopécia.
E o pior é que
nunca consegues dividir
o cordão umbilical esticado
que te liga à juventude.

De repente podes dar contigo
saltando descalço na relva
e pulando em saltos loucos
sobre as alegres nascentes da juventude,
embora realmente estejas sentado numa pedra
apoiando o queixo numa bengala curva
sentindo a osteoartrite rasgar a
marcha dos pés, velhos e pesados.

(1991, publicação póstuma)


§
ESCREVENDO POESIA


De todo, não: não é difícil escrever poesia –
é impossível.
De contrário, pensas que teria persistido nisto
por mais de 40 anos?

Tenta, tenta só
pôr asas numa pedra, tenta
seguir o rasto de um pássaro
no ar.

(1991, publicação póstuma)